{"id":6066,"date":"2024-03-05T21:26:10","date_gmt":"2024-03-06T00:26:10","guid":{"rendered":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/?p=6066"},"modified":"2024-03-05T21:26:10","modified_gmt":"2024-03-06T00:26:10","slug":"estudo-de-coorte-retrospectivo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/estudo-de-coorte-retrospectivo\/","title":{"rendered":"Estudo de Coorte Retrospectivo"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><strong><span style=\"color: #333399;\">Estudo de Coorte Retrospectivo<\/span><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #339966;\"><strong>Caracteriza\u00e7\u00e3o do mundo real do controle da glicemia e uso de insulina na unidade de terapia intensiva<\/strong><\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: right;\">Refer\u00eancia:<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">BAKER, Lawrence; MALEY, Jason H.; AR\u00c9VALO, Aldo; <em>et al<\/em>. Real-world characterization of blood glucose control and insulin use in the intensive care unit. <strong>Scientific Reports<\/strong>, v.\u00a010, n.\u00a01, p.\u00a01\u201310, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Escrito por: <\/em><\/strong><em>Aline Franco da Rocha e Th\u00e1rcis Rocha de Oliveira<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><em>A autora declara n\u00e3o apresentar conflito de interesse relacionado a esta publica\u00e7\u00e3o e express\u00f5es aqui registradas.<\/em><\/span><\/p>\n<p>O artigo discorre sobre controle glic\u00eamico, um assunto complexo, que vem sendo investigado por in\u00fameros pesquisadores nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e ainda assim permanece com resultados divergentes na literatura frente ao seu manejo. Tanto a hiperglicemia quanto a hipoglicemia vem sendo associadas ao aumento da morbimortalidade e s\u00e3o complica\u00e7\u00f5es\u00a0 comumente encontradas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).<\/p>\n<p>Mesmo com a exist\u00eancia de estudos sobre o tema, os protocolos mais atualizados de\u00a0 administra\u00e7\u00e3o de insulina em UTI priorizam prevenir apenas as hipoglicemia (&lt; 80 mg\/dL) e a manuten\u00e7\u00e3o da glicose dentro da faixa euglic\u00eamica (140-180 mg\/dL). Nesse contexto, sugeriu-se pelos autores do presente artigo que, os desafios e fragilidades do manejo glic\u00eamico poderia diferir significantimente na pr\u00e1tica real da UTI, levando-os a elabora\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese de que, a an\u00e1lise de dados de registros m\u00e9dicos eletr\u00f4nicos altamente detalhados demonstraria que os pacientes possuem ampla varia\u00e7\u00e3o em sua resposta glic\u00eamica frente \u00e0 doen\u00e7as cr\u00edticas e resposta \u00e0 terapia com insulina.<\/p>\n<p>Trata-se de um estudo de coorte restrospectivo que utilizou um banco de dados\u00a0 contendo informa\u00e7\u00f5es de aproximadamente 60.000 interna\u00e7\u00f5es em UTI entre 2001 e 2012 no <em>Beth Israel Deaconess Medical Center<\/em> (BIDMC), hospital de ensino afiliado \u00e0 <em>Havard Medical School<\/em>. Foram incluidos na \u00e1nalise: prontu\u00e1rios de pacientes \u2265 18 anos, tempo m\u00ednimo de 24 horas internado na UTI e ter realizado ao menos uma aferi\u00e7\u00e3o de glicemia capilar durante a admiss\u00e3o na UTI. Ap\u00f3s todo processo de sele\u00e7\u00e3o, foram utilizados para a an\u00e1lise 19.694 prontu\u00e1rios eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>A mediana da idade dos pacientes atendidos foi de 66 anos, a maior parte (56%) eram do sexo masculino, brancos (56%) e apenas 24% eram diab\u00e9ticos. O estudo permitiu observar a frequ\u00eancia da hiperglicemia e hipoglicemia demonstrando que estas geralmente persistem durante a interna\u00e7\u00e3o, principalmente em pacientes que na admiss\u00e3o inicial eram hiperglic\u00eamicos. O mesmo se aplica aos pacientes com hipoglicemia na admiss\u00e3o, tendem a maior risco de hipoglicemia ao longo de sua interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao analisar a mudan\u00e7a das m\u00e9dias de glicose ao longo da interna\u00e7\u00e3o, foi comparado\u00a0 a distribui\u00e7\u00e3o das leituras m\u00e9dias de glicose do primeiro e s\u00e9timo dias de interna\u00e7\u00e3o das 2.759 primeiras interna\u00e7\u00f5es na UTI. No entanto n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa para eventos hiperglic\u00eamicos (<em>p=0,286). <\/em>J\u00e1 em pacientes com eventos hipoglic\u00eamicos, houve uma diminui\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa (<em>p=0,036). <\/em>O mesmo teste foi realizado separadamente em popula\u00e7\u00e3o de pacientes diab\u00e9ticos e n\u00e3o diab\u00e9ticos, por\u00e9m\u00a0 n\u00e3o houve altera\u00e7\u00f5es significativas. Nota-se que os cuidados ofertados na UTI protegem a perman\u00eancia dos valores de glicemia consideramos hipoglic\u00eamicos, por\u00e9m a resposta org\u00e2nica mantenedora a hiperglicemia n\u00e3o obt\u00e9m mesma resposta.<\/p>\n<p>\u00c9 salutar fazer um adendo, as respostas fisiol\u00f3gicas \u00e0 inj\u00faria cl\u00ednica, cir\u00fargica ou traum\u00e1tica t\u00eam a capacidade de manter um sistema contrarregulador da glicose ativo por per\u00edodos longos, assim a ativa\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica persistente, eixo\u00a0 hipot\u00e1lamo-hip\u00f3fise-gl\u00e2ndulas alvo ativado, e a resistencia insul\u00ednica mediada por cascata inflamat\u00f3ria, mant\u00eam altos n\u00edveis glic\u00eamicos. Quanto \u00e0 isso n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas na literatura cient\u00edfica sobre o risco de mortalidade associado \u00e0 chamada \u201chiperglicemia de estresse\u201d. Um ensaio cl\u00ednico mundialmente conhecido parte desse pressoposto para iniciar as condutas de controle glic\u00eamico com insulina regular de infus\u00e3o continua, o NICE-SUGAR (<em>The Normoglycemia in Intensive Care Evaluation\u2013Survival Using Glucose Algorithm Regulation<\/em> &#8211; NICE-SUGAR, 2009).<\/p>\n<p>O artigo ainda permitiu o fornecimento de uma maior descri\u00e7\u00e3o do processo de gerenciamento da glicemia na UTI, haja visto que este evidenciou uma varia\u00e7\u00e3o nas doses de insulina administradas independente do n\u00edvel de glicose no sangue, observou que n\u00e3o houve diferencia\u00e7\u00e3o nas estrat\u00e9gias de manejo entre pacientes diab\u00e9ticos e n\u00e3o diab\u00e9ticos, e ainda trouxe reflex\u00e3o do gerenciamento glic\u00eamico personalizado para demostrar o qu\u00e3o invidualizado deve ser este controle glic\u00eamico.<\/p>\n<p>Aplicabilidade dos resultados observados no atual cen\u00e1rio de atua\u00e7\u00e3o dos enfermeiros intensivistas brasileiros, considerando a elabora\u00e7\u00e3o de um protocolo atual sobre o manejo da glicemia na UTI:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Menor risco de perman\u00eancia de hipo\/hiperglicemia no ambiente de terapia intensiva;<\/li>\n<li>Melhores pr\u00e1ticas para a assit\u00eancia de enfermagem no controle glic\u00eamico;<\/li>\n<li>Melhores desfechos para o paciente internado, com recupera\u00e7\u00e3o e progn\u00f3stico promissores;<\/li>\n<li>Melhor defini\u00e7\u00e3o de pontos de corte para controle glic\u00eamico com foco nas complica\u00e7\u00f5es derivadas da hipo\/hiperglicemia;<\/li>\n<li>Diminui\u00e7\u00e3o na taxa de morbidade e mortalidade associada \u00e0 hiper\/hipoglic\u00eamia.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Pontos-chave a serem discutidos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O estudo tr\u00e1s \u00e0 tona, ao mesmo tempo, a import\u00e2ncia e a fragilidade no manejo da glicemia no ambiente de interna\u00e7\u00e3o de pacientes cr\u00edticos, alarmando para a necessidade de elabora\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e aplica\u00e7\u00e3o de protocolos de manejo dessa complexa e comum rotina. Al\u00e9m disso, aponta que estes protocolos contemplem uma diferencia\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias no manejo entre popula\u00e7\u00f5es de pacientes diab\u00e9ticos e n\u00e3o diab\u00e9ticos fundamentadas cientificamente, a fim de n\u00e3o haver empirismos na aplica\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias. Reflete ainda sobre, apesar da pr\u00e1tica baseada em evid\u00eancias, a necessidade de fornecer guidelines atualizados sobre o manejo da glicemia de suma import\u00e2ncia para o gerenciamento invidualizado no ambiente de UTI.<\/p>\n<p><strong>Sugest\u00f5es para pesquisas futuras:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Sugere-se que desenvolvam pesquisas que objetivem, avaliar o conhecimento da equipe de enfermagem frente ao manejo da glicemia, a fim de mapear as principais d\u00favidas deste importante processo, bem como subsidiar a elabora\u00e7\u00e3o de medidas que promovam as pr\u00e1ticas baseadas em evid\u00eancias, garantindo uma assist\u00eancia de qualidade ao paciente gravemente enfermo.<\/p>\n<p><strong>Limita\u00e7\u00f5es do estudo:<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o foram realizadas compara\u00e7\u00f5es para entender a variabilidade do paciente na resposta glic\u00eamica \u00e0 doen\u00e7a; ou a variabilidade na dosagem de insulina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"141\"><\/td>\n<td width=\"570\"><strong>Aline Franco da Rocha<\/strong><\/p>\n<p>Enfermeira, graduada em 2007 pela UEM &#8211; Universidade Estadual de Maring\u00e1. Monitora de Fisiologia Humana. Especialista em Enfermagem M\u00e9dico-Cir\u00fargica modalidade resid\u00eancia pela UEL &#8211; Universidade Estadual de Londrina. Mestre em Patologia Experimental com \u00eanfase no estudo da resist\u00eancia insul\u00ednica pela UEL. Doutora em Ci\u00eancias da Sa\u00fade com \u00eanfase no metabolismo da glicose pela UEL. P\u00f3s-doutora em Enfermagem com \u00eanfase em an\u00e1lise estat\u00edstica pela UEL. Docente Adjunto A do curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Enfermagem na \u00e1rea de Fundamentos de Enfermagem e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Strictu Senso em Enfermagem do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina &#8211; UEL e do programa de Resid\u00eancia em Cuidados Intensivos do Adulto e Urg\u00eancia em Enfermagem desta mesma universidade. Atua como docente plantonista em Unidades de Terapia Intensiva. E-mail: alineafr@uel.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"141\"><\/td>\n<td width=\"570\"><strong>Th\u00e1rcis Rocha de Oliveira<\/strong><\/p>\n<p>Graduado em Enfermagem pela Universidade Cesumar &#8211; UNICESUMAR (2022). P\u00f3s-graduando em Enfermagem em Urg\u00eancia e Emerg\u00eancia, na modalidade resid\u00eancia pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (PPGEn-UEL). Membro efetivo da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica do Hospital Universit\u00e1rio Regional Norte Paranaense (HURNP). \u00a0ORCID: 0000-0001-6414-5119. E-mail: enf.tharcisoliveira@uel.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo de Coorte Retrospectivo Caracteriza\u00e7\u00e3o do mundo real do controle da glicemia e uso de insulina na unidade de terapia intensiva Refer\u00eancia: BAKER, Lawrence; MALEY, Jason H.; AR\u00c9VALO, Aldo; et&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":567,"featured_media":5890,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6066"}],"collection":[{"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/users\/567"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6066"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6066\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6067,"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6066\/revisions\/6067"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5890"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6066"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6066"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/abenti.org.br\/Area_Membros\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6066"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}