Estudo de revisão de escopo
Eye care Interventions in Critical/surgical Patients in the Prone Position: Scoping Review
1.Dantas AC, Lopes Costa M, Barbosa da Silva A, Coutinho Borges BE, de Medeiros Araújo JN, Fortes Vitor A. Eye Care Interventions in Critical/Surgical Patients in the Prone Position: Scoping Review. Aquichan. 2022;22(3):e2233. DOI: https://doi.org/10.5294/aqui.2022.22.3.3
Escrito por:Vanessa Bertoglio Comassetto Antunes de Oliveira
A autora declara não apresentar conflito de interesse relacionado a esta publicação e expressões aqui registradas.
O artigo aborda uma importante complicação que acomete com freqüência os pacientes em situações críticas, as lesões oculares, incluindo edema ocular conjuntival e pressão direta na órbita ou globo ocular. Tais condições somam-se aos diversos efeitos físicos, sociais e psicológicos que os pacientes absorvem ao vivenciar momentos críticos em seu estado de saúde. Deste modo, os artigos destacam o protagonismo dos cuidados de enfermagem no que diz respeito ao manejo das intervenções preventivas em pacientes críticos.
Trata-se de um artigo publicado na América Latina, com estudo centralizado no Brasil cujo método selecionado foi revisão de escopo elaborada segundo os pressupostos metodológicos do Instituto Joanna Briggs, 2020, definidos pelo checklist Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR). A estratégia de pesquisa se deu a partir da seguinte pergunta: Quais estratégias e intervenções são utilizadas para o cuidado oftalmológico no manejo de pacientes críticos ou cirúrgicos submetidos à posição prona? A busca se deu no período de julho a agosto de 2020 nas seguintes bases de dados: SCOPUS, Web of Science, Science Direct, PubMed Central, Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL) e COCHR ANE. Como estratégia de busca nas bases de dados, foram definidos os descritores ordenados em Medical Subject Headings (MeSH): “Eye”, “Eye Health”, “Nursing Care”, “Critical Care”, “Ocular Care”, “Intensive Care Units”E“Posição Prona” por meio do operador booleano AND. Os critérios de inclusão utilizados foram estudos que abordassem evidências sobre intervenções oftalmológicas em pacientes em posição prona, artigos completos nas bases de dados, artigos originais e artigos de revisão e artigos disponíveis em inglês, português e espanhol. Quanto ao ano de publicação, foram selecionados os estudos entre 1999 e 2020. Foram excluídos da amostra editoriais, cartas ao editor, resumos e artigos que não abordassem o tema relevante no âmbito do objetivo da revisão.
Dentre as principais intervenções encontradas, lubrificantes e proteção ocular com fita adesiva foram as mais frequentes na amostra de pacientes graves, seguidas de exame oftalmológico e limpeza com soro fisiológico. Os autores recomendam que, antes de realizar a manobra de posicionamento prono, os olhos sejam limpos com soro fisiológico, preferencialmente do avesso em um único sentido, aplicados colírios lubrificantes e protegidos com fitas adesivas. Depois recomenda-se que os olhos sejam examinados, relubrificados e fechados com esparadrapo a cada quatro horas. Quanto ao exame oftalmológico, recomenda-se que seja feito diariamente. Caso haja preocupação relacionada ao dano, pode-se realizar um exame mais aprofundado dos olhos com aplicação de gotas de fluoresceína e visualização da córnea através da luz azul, frequentemente encontrada em oftalmoscópios. Pacientes constantemente expostos devem ser encaminhados ao oftalmologista. Ademais é fundamental associar a posição prona ao Trendelenburg reverso para minimizar o risco de pressão na região da face e o apoio de cabeça adequado. Os estudos também propõem recomendações sobre rotação da cabeça a 45º como cuidados essenciais para prevenção de riscos associados à saúde ocular.
Identificou-se uma escassez de evidências científicas que abordassem recomendações mais específicas, especialmente em pacientes críticos, entretanto, ficou evidenciado o protagonismo do cuidado de enfermagem na prevenção de lesões oculares em tratamentos de saúde que utilizaram a posição pronada para seu tratamento.
Aplicabilidade dos resultados observados no atual cenário de atuação dos enfermeiros intensivistas brasileiros
– O estudo sugere ações de baixa complexidade de viabilidade na aplicação na rotina do cuidado;
– Melhores desfechos para o paciente internado;
– Melhores variáveis na qualidade do atendimento prestado pela equipe de enfermagem com foco no paciente.
Pontos chaves e que precisam ser discutidos
Os achados enfatizam a necessidade de implementar políticas de segurança do paciente com relação ao cuidado dos olhos como prioridade. Devem ser considerados casos em que pacientes possuam históricos de doenças oftalmológicas prévias. Neste sentido certamente tal condição sequer deve ter sido ponderada previamente à decisão de pronação. Ademais, questiona-se nas condições críticas, qual a razão da pressão ocular ser desmerecida na avaliação de enfermagem?
Sugestões para pesquisas futuras:
São necessárias outras revisões que envolvam os demais riscos de complicações oculares ocasionadas por situações críticas de saúde.
Limitações do estudo:
– Incipiência de estudos direcionados à temática no período da coleta de dados;
– Período curto de coleta de dados.
Vanessa Bertoglio Comassetto Antunes de Oliveira
Doutora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade de São Paulo.Mestre em enfermagem pela Escola de Enfermagem de São Paulo. Possui graduação em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal do Paraná (2005). Atualmente é professora Adjunta do Departamento de Enfermagem na Universidade Federal do Paraná – UFPR na disciplina de Enfermagem na Saúde do Adulto. Membro do grupo de pesquisas GEMSA (Grupo de Estudo Multiprofissional na Saúde do Adulto). Membro efetiva da Associação Brasileira de Enfermagem em Terapia Intensiva (ABENTI). Membro efetiva da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro efetiva da Sociedade de Terapia Intensiva do Paraná (SOTIPA). |