Enfermeiro Intensivista:

Quais são os Conhecimentos, Habilidades e Atitudes necessárias para este profissional?

A singularidade das organizações hospitalares mundiais tem sido destacada pela assistência à pacientes em situações cada vez mais críticas, que necessitam de respostas individuais e complexas, que atendam as suas necessidades. Dessa forma, o trabalho do Enfermeiro em Unidades de Terapia Intensiva, exige competências, habilidades e atitudes dos profissionais que se deparam com as mudanças tecnológicas e exigências do cotidiano, provocando muitas vezes, transformações no seu próprio processo de trabalho.

A temática “competência profissional” tem se constituído ao longo dos anos, foco de atenção dos Enfermeiros, bem como dos administradores dos serviços de saúde, pois os profissionais de enfermagem representam em termos quantitativos, parcela significativa dos recursos humanos alocados nas instituições, especialmente nos hospitais, interferindo diretamente na eficácia, na qualidade e no custo da assistência prestada. Logo, a mobilização pelo CHA (Competências, Habilidades e Atitudes), reflete significativamente nos esultados obtidos e na justificativa pela busca do profissional ideal para o trabalho em Terapia Intensiva.

Tais situações, ocorrem devido ao trabalho ser complexo e intenso, exigindo do Enfermeiro a possibilidade de reconhecer a singularidade, a fragilidade emocional, física e psíquica do ser humano. No Brasil, os Enfermeiros Intensivistas aprimoram o CHA, por meio da troca de experiências em eventos e programas científicos ifundidos e promovidos pela AMIB em território nacional.
Para tal condição, o Departamento de Enfermagem da AMIB, em parceria com a Associação Brasileira de Enfermeiros em Terapia Intensiva (ABENTI), tem se destacado e mobilizado encontros, palestras, congressos e atividades focadas na atualização dos profissionais, que vislumbram o desenvolvimento das competências. Procurando desvelar as competências necessárias ao Enfermeiro de Terapia Intensiva, no ano de 2013 foram entrevistados 600 (seiscentos) Enfermeiros Intensivistas que participaram de um evento científico promovido pelo Departamento de Enfermagem da AMIB em parceria com a ABENTI, sendo estas destacadas a seguir.

Competências profissionais necessárias ao Enfermeiro de Terapia Intensiva.

  1. Competências

  2. Conhecimento técnico

  3. Conhecimento científico

  4. Liderança

  5. Trabalho em equipe

  6. Gerenciamento de seus pares

  7. Visão holística do cuidado

  8. Habilidades cognitivas

  9. Tomada de decisão

  10. Humanização

  11. Comunicação

  12. Iniciativa e atitude

  13. Relacionamento interpessoal

  14. Comprometimento

  15. Raciocínio clinico

  16. Responsabilidade

  17. Segurança

  18. Pro-atividade

  19. Dinamismo

  20. Coordenação de diferentes equipes

  21. Ética

  22. Dedicação e observação

  23. Satisfação com o trabalho

  24. Controle emocional

  25. Saber ouvir

  26. Realizar pesquisas

  27. Poder de negociação

  28. Criatividade

  29. Vocação

As três principais competências destacadas pelos entrevistados foi o conhecimento técnico, o conhecimento científico e a capacidade de liderança.

Tais competências demonstram que a constante atualização técnica, tecnológica e científica, são necessárias para o nfrentamento de intercorrências emergentes, onde a contínua busca pelo conhecimento vêm permeada pela experiência adquirida (competência técnica). Já a liderança, diferencia-se por meio do desafio em integrar o cuidado complexo que requer o pacientes grave à batalha contínua pela busca do ambiente seguro, harmônico e alicerçado não apenas pela objetividade das práticas assistenciais, mas também pela subjetividade na qual o sujeito do cuidado esteja no centro das atenções, endo compreendido como um ser humano integral, único e indivisível.

Neste sentido, sabemos que o Enfermeiro Intensivista traz em sua essência o contato com o próximo, seja no exercício da arte de cuidar ou no gerenciamento da equipe e da unidade. Uma vez que resolve conflitos, pratica a equidade na tomada de decisões, norteado pela ética e pela Lei do Exercício Profissional, orientado por condutas e pela busca da participação de seus pares na construção de planos e projetos, atuando como um líder e não chefe. Tais especificidades permite-nos admitir que existe um perfil profissional, norteado pelo CHA, para o desenvolvimento do trabalho do Enfermeiro Intensivista, onde o profissional inexperiente não reúne a vivencia do ambiente e o contexto peculiar do cuidado ao paciente crítico.

Consequentemente, ao nos depararmos com o crescente avanço tecnológico incorporado ao cuidado crítico, torna-se fundamental compreendermos a necessidade contínua do aprimoramento dos saberes (saber ser, saber fazer e saber agir), articulados à inserção das novas tecnologias em saúde e para a saúde. Neste cenário, a qualificação profissional ocorre elencada ao processo educacional, cujo o objetivo é o domínio da linguagem tecnológica e a promoção de uma assistência integral, beneficiando o paciente, seus familiares e o nosso profissional, de maneira segura e isenta de iatrogenias. Por isso, vamos aprimorar os nossos conhecimentos.

Renata Andréa Pietro Pereira Viana, RN, PHD.
Presidente da ABENTI.
Membro do Departamento de Enfermagem da AMIB.